terça-feira, 23 de agosto de 2016

A utilização da herdabilidade no melhoramento genético animal


     A herdabilidade expressa grau de semelhança entre a progênie e seus pais para uma determinada característica, ela é expressa através da regressão da variância genética do individuo sobre sua variância fenotípica, isso no sentido amplo, já no sentido restrito utilizasse a regressão da variância genética aditiva sobre a variância fenotípica.

Amplo: h2 = S2 G / S2
Restrito: h2 = S2 Ga / S2 P


     A herdabilidade pode ter variações entre 0 e 1, podendo ser dividida como baixa, média alta e alta herdabilidade.

  • Características reprodutivas: baixa herdabilidade (0 a 0,20);

     Ex.: Intervalo entre partos - Idade ao primeiro parto.

  • Características de crescimento e produtivos: média a alta (0,20 a 0,40);

     Ex.: Produção de leite – Peso ao desmame - Peso aos 365 dias.

  • Características relacionadas com a qualidade: alta ( > que 0,40).

     Ex.: Espessura de gordura - Rendimento de carcaça  - Conformação.

h2 Baixa: Seleção com baixa eficiência, mas pode-se trabalhar as características de baixa herdabilidade através da correlação com características de media a alta herdabilidade.
h2 Alta: Seleção com alta eficiência, pois grande parte da característica é influenciada por efeitos genéticos (G) e com baixa interferência dos efeitos ambientais (E), dessa forma é possível maximizar o ganho genético das características definidas no critério de seleção.

Se a herdabilidade da característica for zero ou próxima de zero, isso indica que a variação fenotípica observada entre os animais do grupo avaliado é pouco explicada pelo efeito genético aditivo, sendo uma variação ocasionada devido os efeitos ambientais.

Se a herdabilidade da característica for mais próxima de 1, indica que a variação fenotípica observada entre os animais do grupo avaliado é em sua maior parte explicada através do efeito genético aditivo.


     Com a utilização da herdabilidade podemos estimar o ganho ou progresso genético que será alcançado através da seleção para as características desejadas. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Benefícios com a implantação da estação de monta em bovinos de corte


Atualmente os principais desafios que o Brasil enfrenta são os de conseguir manter ou aumentar a produtividade de alimentos, inclusive alimentos de origem animal e produzindo de forma sustentável. Para melhor desempenho produtivo devemos sempre nos atentar aos índices reprodutivos, e a estação de monta (EM) é uma das primeiras medidas de manejo a ser implantada em uma fazenda quando se quer melhorar a eficiência reprodutiva.

Os principais objetivos da estação de monta é aumentar a eficiência reprodutiva das fêmeas, concentração dos nascimentos em um determinado período, aumento do volume de animais para comercialização, possibilita a seleção de matrizes e coleta de dados para controle zootécnico. A estação de monta inicia no período do ano com melhor qualidade e maior disponibilidade de pastagem, proporcionando melhor condição corporal para o restabelecimento da atividade reprodutiva de fêmeas e também reprodutores. Uma estação de monta bem planejada possibilita maximizar os índices de reprodutivos, devido à alta viabilidade embrionária.

Algumas vantagens da implantação da (EM) é o aumento da pressão de seleção sobre as fêmeas, permitindo retirar do rebanho as fêmeas que não emprenharam no prazo definido. De acordo com a redução da duração da estação de monta, maior será a pressão de seleção em cima das fêmeas testadas. Ela também facilita os processos de seleção no rebanho, criando grupos de contemporâneos, permitindo comparar e selecionar os melhores animais dentro de cada grupo. Outra vantagem é a possibilidade de realizar diferentes praticas de manejo em um determinado período, tais como, a desmama precoce, permitindo um retorno mais cedo das fêmeas a reprodução, a suplementação de acordo com o nível de exigência do grupo, os esquemas de vacinação e desvermifugação, visando à redução da taxa de mortalidade e consequentemente o aumento do peso a desmama devido a redução dos efeitos de ambiente materno.


Passos realizados para implantação da estação de monta:

         Produtores que manejam os touros na vacada durante todo o ano, devem iniciar com uma estação de monta de seis meses com redução gradativa, para que não haja prejuízo na produção de bezerros.

·      No primeiro ano a estação inicia em novembro e finaliza em abril;
·      No segundo ano, ela pode ser reduzida para quatro meses, de novembro a fevereiro;
·      No terceiro ano, ela reduz para três meses, de novembro a janeiro. 


           É importante ressaltar que não existem soluções que mudaram o cenário da propriedade de um ano para outro. Porém o somatório de todas as atividades realizadas, como as atividades de manejo sanitário, nutricional, os processos de seleção e controle zootécnico, levarão a pequenos avanços que quando somados podem maximizar os ganhos de produtividade.

domingo, 14 de agosto de 2016

Importância da habilidade materna na bovinocultura de corte

Atualmente as características relacionadas à eficiência produtiva e reprodutiva, principalmente em bovinos de corte criados a pasto são de grande importância quando se deseja um sistema de criação eficiente. O que não podemos esquecer é que as variações de ambiente e clima podem influenciar no desempenho genotípico e fenotípico dos animais, comprometendo a competitividade, produtividade e eficiência do rebanho.


As características fenotípicas de valor econômico são influenciadas por um componente genotípico, constituído por variância genética aditiva e variâncias genéticas não aditivas, componente ambiental permanente e temporário e a interação entre a variâncias genéticas e os efeitos ambientais. Levando em conta a grande importância das características fenotípicas, é necessário maior atenção ao ambiente materno, pois este pode influenciar a expressão do potencial da progênie tanto na fase pré-natal quanto na fase pós-natal, é primordial à realização de manejos adequados nesta última fase com o intuito de reduzir os impactos dos efeitos ambientais que dificultam a expressão das características fenotípicas oriundas da habilidade materna.

Características de habilidade materna como maternal para peso aos 120 dias de idade (MP120) e maternal para peso aos 210 dias de idade (MP210) que permitem avaliar o ganho de peso da progênie, devido à habilidade de produzir leite apresentado pela fêmea, possuem correlação positiva com as características de crescimento ao sobre ano, como peso aos 365 dias de idade (P365) e peso aos 450 dias de idade (P450), que possuem grande importância econômica no sistema de criação de bovinos de corte, pois expressa o potencial de ganho de peso no período pós-desmama.

Desta forma a melhoria de todo o ambiente de criação é essencial para que todo trabalho realizado através da seleção, acasalamentos e cruzamentos obtenham o sucesso, pois um animal com genética de qualidade necessita de um ambiente com qualidade. 


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A IMPORTÂNCIA DE SELECIONAR ANIMAIS DE ACORDO COM O AMBIENTE DE CRIAÇÃO

      A produção eficiente de bovinos de corte depende de vários fatores ambientais, entre eles, pastagens adequadas, correto manejo sanitário, suplementação no período da seca, fornecimento de água entre outros. Cada dia que se passa aumenta a necessidade de selecionar animais adaptados às condições mais adversas de ambiente, como temperaturas mais altas, pastagens com menor valor nutritivo e infestação de ectoparasitas, devido as condições que nosso clima oferece. Haja visto que os índices de produtividade são diretamente afetados por estas variareis, o que comprova a necessidade de utilização de tecnologias apropriadas na identificação dos melhores animais.


      A interação genótipo-ambiente pode inferir se o animal criado em um determinado clima terá a mesma resposta se for produzir em clima diferente. Isso acontece, pois a interação genótipo-ambiente é a  mudança de desempenho relativo de um caráter de dois ou mais genótipos medidos em dois ou mais ambientes. O “Genótipo”, na genética clássica, significa o conjunto de genes que um indivíduo possui, porém, estendendo a definição para grupo de indivíduos, também se entende por genótipo as diversas raças, linhagens, composições raciais e outros. Já o “Ambiente” constitui a ampla gama de variáveis que podem ser agrupadas em fatores como: regiões geográficas, sistemas de manejo, tipo de alimentação, época de produção e outros. 
      Sabe-se que o fenótipo (P) ou o valor observado ou medido de uma dada característica é dependente do potencial genético (G) do indivíduo e do ambiente (E) no qual é produzido, que nos da o famoso modelo P =. G + E. Esta é uma simplificação extrema do que ocorre biologicamente, dessa forma podemos dizer que a genética e o ambiente influenciam de forma aditiva e independente o fenótipo observado. O efeito de um genótipo sobre sua performance depende das condições ambientais a que está sujeito, ou, de outra perspectiva, mudanças ou melhorias no ambiente só serão frutíferas se o genótipo responder a elas. Então, um terceiro componente a ser considerado na fórmula básica do melhoramento genético é a interação genótipo-ambiente (GxE), que é somando ao modelo citado acima, formando o modelo P = G + E + GxE, que nada mais é que a avaliação do fenótipo observado através da somatória do genótipo do individuo com os efeitos do ambiente e a interação entre o genótipo e ambiente.
      A existência da interação genótipo-ambiente possui importância no processo de produção quando há diferenças entre os ambientes de seleção e de produção, o que pode implicar em desempenho diferenciado e, por consequência, uma resposta à seleção inferior àquela desejada ocasionando baixa produtividade.