sexta-feira, 15 de julho de 2016

A importância da seleção através da precocidade sexual em bovinos


Na pecuária as características reprodutivas possuem um impacto econômico maior quanto a comparamos com as características associadas ao crescimento. Assim como os processos de seleção na pecuária de corte para o desenvolvimento ponderal têm sido bem explorado, também é necessário maior atenção para as características reprodutivas do rebanho. A seleção dos animais com base nos desempenhos reprodutivo e produtivo dos touros e matrizes é relativamente recente no Brasil especialmente em criadores de raças zebuínas, porém existe uma pequena porcentagem de criadores que há anos já selecionam com base nestes desempenhos. Nos plantéis de elite, houve sempre valorização da beleza dos animais em detrimento do ganho de peso, da precocidade sexual e da qualidade de carcaça. Em virtude das exigências do mercado e também do aumento de pesquisas que indicaram as melhorias ao se selecionar animais com base no desempenho reprodutivo, este senário vem passando por mudanças ao longo dos anos e a seleção dos indicadores de eficiência reprodutiva se destaca cada vez mais.



Visto que a reprodução é um processo complexo e a seleção direta para características ligadas a ela é difícil de ser aplicada, necessitamos de alguns indicadores que auxiliem neste processo, como a seleção para as características:

·    Perímetro escrotal aos 12 meses e 15 meses de idade (PE365 e PE450): Está relacionado com a idade à puberdade em machos e fêmeas, possui associação genética favorável da característica com a precocidade sexual e fertilidade. 
·     Ganho de peso a desmama e peso aos 12 meses de idade (MP120 e P365): Expressam respectivamente o ganho de peso dos filhos, devido à habilidade maternal (produção de leite) apresentado pela fêmea e o potencial de ganho de peso no período pós-desmama.

As características mencionadas à cima possuem correlação favorável com as características de desempenho
reprodutivo que expressão a precocidade sexual:

·   Idade ao Primeiro Parto (IPP): Indica a precocidade sexual, influencia a produtividade do rebanho e a eficiência reprodutiva do rebanho. Quando se utiliza DEPs negativas para essa característica é possível reduzir os meses para o primeiro parto.
·    Probabilidade de Parto Precoce (3P): Expressa à probabilidade de um reprodutor produzir filhas que serão emprenhadas mais cedo, mantendo a gestação e parindo um bezerro vivo.

Dessa forma a utilização de características que indicam precocidade sexual e puberdade com fácil mensuração e que tenham correlação favorável com características reprodutivas nas fêmeas pode solucionar o problema do baixo potencial de produção de bezerros devido às fêmeas avaliadas não se tornarem gestantes ao final da estação de monta.

Devido à importância da seleção de animais para características ligadas à reprodução, a busca por animais que expressão e imprimam em seus filhos as características que indicam precocidade aumentaram e podemos levar em consideração os três tipos de precocidade: sexual, crescimento e acabamento. Haja vista que os três tipos de precocidade estão interligadas, seja com correlações positivas ou negativas. Vale ressaltar que na adoção dos critérios para seleção das características, é importante selecionar características com valores de herdabilidade de moderada a alta, que é um indicador de que são características influenciadas por genes de ação aditiva e que tornam a seleção um mecanismo efetivo de melhoramento.

Concluindo, a seleção para precocidade sexual dos animais pode reduzir os custos de produção dentro da fazenda, reduzir o intervalo de gerações que é calculada através da média de idade dos pais quando sua progênie nascer, aumentar o ganho genético e aumentar a produtividade, pois terá fêmeas na propriedade que produziram mais filhos durante sua vida produtiva o que expressa a eficiência do sistema de criação.




segunda-feira, 11 de julho de 2016

Tipificação de Carcaça e Consumo de Carne com Melhor Qualidade


Tipificação e Classificação de Carcaças Bovinas
     Atualmente os consumidores estão aprimorando suas compras de carne de origem bovina. Pesquisa realizada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostra que os consumidores preferem carne com classificações de qualidade choice e prime que comparada com as outras classificações possuem melhor qualidade. Dessa forma os produtores precisam ter o controle sobre a classificação de sua carne para suprir as exigências dessa demanda do mercado. Existem pontos importantes que permitem controlar a classificação da carcaça dentro da propriedade, sendo eles a avaliações genéticas, seleção dos touros, nutrição, saúde e o manejo que precisa ser conduzido com o baixo nível de estresse desde o inicio da criação até o abate.

Objetivo dos Sistemas de Tipificação

     Os sistemas de tipificação avaliar as características da carcaça que estejam relacionadas direta ou indiretamente com as características de rendimento e qualidade.

Classificação da Carcaça por Qualidade

      Características de qualidade se referem às qualidades sensoriais da carne (maciez, suculência e sabor) quando preparada e consumida. As classes de qualidade utilizadas para diferenciar a expectativa do cliente quando consume a carne são (Prime, Choice, Select, Standard, Commercial, Utility, Cutter e Canner), as oito classes de qualidade utilizadas no sistema do USDA são divididas entre animais jovens e maduros da seguinte forma:
Fonte: USDA, Meat evaluation hand book.


Animais Jovens:
Prime
Choice
Select
Standard

Animais Maduros:

Commercial
Utility
Cutter
Canner





Classificação da Carcaça por Maturidade
      O fator idade do animal possui efeito direto na maciez de sua carne, tornando-se uma carne mais dura de acordo com o aumento da idade do animal. Levando em consideração que a idade do animal afeta a maciez da carne, o USDA utiliza a característica de maturidade para classificar as carcaças. A classificação por maturidade possui cinco grupos, sendo eles identificados por letras do A ao E, constituídos por idades aproximadas correspondentes a cada grupo de maturidade, sendo elas:

A - 9 a 30 meses

B - 30 a 42 meses  
C - 42 a 72 meses
D - 72 a 96 meses
E - Mais de 96 meses

Mudanças com o Passar da Idade

  • Um animal bem jovem possui a costela bastante estreita e de formato mais ovalado e com uma coloração avermelhada;
  • Um animal mais maduro possui a costela mais espessa, mais achatada e com a coloração acinzentada;
  • Um animal jovem possui fibras musculares de textura fina e coloração bastante clara, em tom vermelho rosado;
  • Um animal mais maduro possui a textura das fibras progressivamente mais grossa e a sua cor se torna mais escura.

Marmoreio ou Marmorização
     A marmorização (marmoreio, ou “marbling”) é o depósito de gordura intramuscular, e é um dos principais fatores determinantes para a classificação de qualidade do USDA. A avaliação visual do marmoreio é realizada na área do olho-de-lombo (corte entre a 12° e 13° costelas) e permite avaliar a relação com as qualidades sensoriais da carne consumida. Os cortes de carne com altos níveis de marmoreio como os cortes de qualidade prime e choice são geralmente mais macios, suculentos e saborosos do que aqueles com baixos níveis de marmoreio.

Considerações Finais

     Diante da crescente exigência dos consumidores por carnes de qualidade é necessário cada dia mais estar atento às formas de seleção e classificação da carcaça dos animais. Com as diferentes classificações de carcaça, os produtores que alcançam um maior nível de qualidade na sua classificação, são recompensados com maiores remunerações pelo sistema de prêmios adotado nos frigoríficos, que em sua maioria são baseados no sistema de classificação apresentado.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Benefícios do Cruzamento em Bovinos de Corte



O cruzamento na bovinocultura é constituído pelo acasalamento entre bovinos puros, no entanto de raças diferentes. Estudos realizados no decorrer dos anos demonstram que animais originados de cruzamentos obtêm melhor desempenho que os animais de uma raça pura, em virtude da melhor adaptação ao ambiente e nutrição ao qual estão submetidos. No caso das fêmeas expostas à reprodução, podem aumentar em 25% as taxas de natalidade, permanência no rebanho e peso médio ao desmame, através de processos simples de exploração da heterose entre zebuínos e taurinos no cruzamento.

No cruzamento a combinação de efeitos aditivos e de heterose permite reduzir em pelo menos um ano a idade do primeiro parto e a idade de abate dos produtos oriundos de cruzamento. Junto com o aumento da produtividade por vaca, estes ganhos no tempo determinam uma taxa de desfrute pelo menos duplicada. Além de atuar efetivamente na parte produtiva como a precocidade para ganho de peso e maciez da carne e também possibilita a redução de problemas como a baixa resistência a parasitas e ectoparasitas.


Em virtude dos pontos positivos do cruzamento na bovinocultura, cresce a cada ano a utilização das biotecnicas da reprodução IA (Inseminação Artificial) e IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) no Brasil que permite acelerar os ganhos com o cruzamento e também possibilita a utilização de material genético de touros geneticamente superiores que não necessitam estar na propriedade. No entanto a superioridade dos animais originados de cruzamento em relação aos puros está diretamente relacionada ao tipo de ambiente e manejo no qual são criados, e principalmente na correta escolha das raças que serão utilizadas no sistema de cruzamento. É preciso conhecer previamente a diferença genética entre as raças utilizadas para minimizar os riscos no cruzamento e melhorar os índices produtivos e reprodutivos da fazenda.

Dessa forma o cruzamento é uma ferramenta que atua de forma rápida e barata na obtenção do ganho genético no rebanho e no aumento da produção de carne bovina, no entanto a técnica não elimina a necessidade ou reduz a importância da seleção como método de melhoramento genético já que é necessário identifica os melhores indivíduos das raças utilizadas para obter os resultados desejados.